“Gente gosta de falar com gente’’, por Kelly Lubiato

Desde que o mundo é mundo, as pessoas se comunicam e buscam em seus pares um reflexo. No mercado de Seguros, mesmo com toda a evolução proporcionada pela transformação digital, o fator humano ainda é preponderante.  

É claro que a inteligência artificial e o aprendizado de máquinas vão ocupar espaços importantes, tornando a ação dos robôs cada vez mais amigável e agradável. Entretanto, a presença humana ainda se faz muito necessária para alimentar as informações e criar empatia com as máquinas.  

Apesar da transformação digital, impulsionada pela pandemia do coronavírus, ter acontecido de forma meteórica, percebemos que ainda há carência de atendimento personalizado. Até 2020, nenhum tipo de Seguro era vendido de forma totalmente digital. A Minuto Seguros, que foi a precursora neste campo, fazia um acompanhamento físico de todas as cotações on-line. Portanto, o digital funcionava como um gerador de leads.  

É evidente que essa realidade mudou e que, com o ‘‘empurrãozinho’’ da Susep (Superintendência de Seguros Privados) para o Sandbox Regulatório, algumas insurtechs continuam tentando esse caminho totalmente on-line.  

Mas acho válido usar a minha experiência como exemplo. Depois de 26 anos cobrindo o mercado de Seguros, acredito que conheço alguma coisa do setor. Porém, pasmem: na hora de contratar um produto de Seguros, eu tenho dúvidas. São muitas as variáveis e nem sempre fica claro o que é mais adequado à minha realidade. Eu quero saber quais particularidades podem ser aplicadas à minha necessidade de cobertura.  

Um exemplo: eu queria fazer um Seguro residencial, com cobertura para placas de energia solar. Primeiro, o Corretor teve que ir atrás dessa cobertura específica, depois teve que me explicar que todo o sistema precisa de cobertura, não apenas as placas em si, quais casos estão cobertos, quais são as exclusões, etc.   

O que eu quero dizer é o seguinte: há espaço para o digital e para o físico. Os Corretores de Seguros devem investir em sua imagem no mundo digital e agilizar sua presença nele, facilitando o seu encontro para o segurado.  

Faça-se presente, crie posts, seja flexível. As pessoas se identificam é com gente, com o ônus e o bônus que essa relação traz. Quando estiver com pessoas diferentes, converse, pergunte e tenha uma escuta profunda. Aprenda a identificar possibilidades.  

Outro parêntesis: estava entrevistando o brasileiro melhor colocado no ranking ITF (International Tenis Federation) de Beach Tennis (este esporte não é modinha! rsrs) sobre como ele protege sua saúde, família e carreira. Ele possui apenas um Seguro de saúde. De resto, mais nada, porque não lhe foi oferecido. Tenho um vizinho, CEO de uma agência de publicidade, que não tinha Seguro residencial do apartamento em São Paulo. Na praia, ele fez o Seguro porque eu fiz da minha unidade. Quando eu o questionei: ‘’Você não tem Seguro da sua casa?’’, ele respondeu: ‘’Não, ninguém nunca me ofereceu.’’.  

Sentiram? As pessoas querem ser ouvidas, querem atenção.  

Cruzar dados e descobrir os produtos que cada consumidor necessita pode ser feito (e muito bem) por meio de máquinas. Mas, o sentimento de qual é a melhor hora para oferecer ainda só o ser humano possui.  

Portanto, aproveite e junte o seu conhecimento e o seu sentimento ao poderio de processamento das máquinas.   

Boas vendas!  

Kelly Lubiato, é diretora de Redação da Revista Apólice. A jornalista é formada pela PUC/SP, especializada no mercado de Seguros há 28 anos, com pós-graduação em Jornalismo Digital na ESPM. Diretora de Redação da Revista Apólice e do portal de notícias da mesma publicação. Já produziu conteúdo sobre Seguros para diversos veículos do setor e de publicações corporativas.

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